Vários povos asiáticos fizeram do lótus tanto um símbolo sagrado como motivo ornamental e artístico, frequentemente associado à pureza e à imortalidade. Nas antigas culturas egípcia, chinesa e hindu, a flor dessa planta era representada com profusão em templos e esculturas: sua imagem simbolizava, para budistas e hindus, a espiritualidade triunfante.
Pelo nome de lótus são designadas diversas plantas aquáticas e herbáceas da família das ninfeáceas, conhecidas principalmente na Ásia, África e diferentes partes da Oceania.
A espécie mais comum é a Nymphaea lotus, de grandes folhas circulares de trinta a sessenta centímetros de diâmetro e flores solitárias, brancas ou levemente rosadas. Os caules e raízes ficam submersos e as flores flutuam sobre a superfície da água em tanques, lagoas e águas estagnadas, onde servem de abrigo a grande número de organismos. As sementes dessa planta podem ser tostadas, moídas e consumidas como alimento.
O lótus-da-índia (Nelumbo nucifera) cresce em vários pontos da Ásia e Oceania e também possui sementes comestíveis. Outra espécie conhecida é o lótus-azul (Nymphaea caerulea), originária do continente africano.
Para os indianos a planta é símbolo da criação do universo, pois traz em sua semente a cópia perfeita do que a semente será no futuro. De acordo com escrituras budistas no Tibete, conta-se que milagrosamente o pequeno Buda já podia andar ao nascer e que a cada passo que a criança "iluminada" dava, brotavam-lhe flores de lótus de suas pegadas – uma das assinaturas de sua origem divina. Nas escrituras indianas foi do umbigo de Deus Vishnu que teria nascido uma brilhante flor de lótus e desta teria surgido outra divindade, isto é, Brahma, o criador do cosmo.
No interior das pirâmides e nos antigos palácios do Egito o lótus também é representado como planta sagrada pertencente ao mundo dos deuses. A exemplo da crença indiana sua flor testemunha a criação do universo. Um dos mais interessantes relatos da mitologia egípcia sobre a origem de nosso planeta conta que num tempo muito distante, quando o universo ainda não existia, um cálice de lótus com as pétalas fechadas flutuava nas trevas, um relato que faz lembrar a declaração bíblica que diz: "E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas". Entediada com o vazio, a flor pediu ao deus-Sol Rá (uma divindade andrógina, simultaneamente masculina e feminina) que criasse o universo. Tendo criado, a flor agradecida pelo desejo realizado passou a abrigar o deus-Sol em suas pétalas durante a noite de onde ele sai ao amanhecer para iluminar a sua criação.
Para os povos orientais o lótus também representa a pureza, pois emerge limpa e imaculada do meio de águas turvas e lodosas. Um exemplo de como deve agir a humanidade perante os conflitos e dificuldades.





















