Entre os vestígios deixados pelos maias, as ruínas de Palenque se destacam por seus baixos-relevos em estuque e a originalidade de seu conjunto arquitetônico.
Palenque é o nome por que ficou conhecido o sítio arqueológico situado no estado de Chiapas, México, a 12km da cidade de Santo Domingo de Palenque. Pertence ao período clássico da civilização maia, entre os anos 300 e 900 da era cristã. Seu nome original pode ter sido Nachan, que significa "cidade das serpentes", mas a hipótese nunca foi confirmada.
O período de maior esplendor de Palenque foi no século VII, quando se elaborou a maior parte de seus relevos, monumentos e edifícios. O apuro técnico na arquitetura, nas inscrições hieroglíficas, nas pinturas (quase todas desaparecidas), nas esculturas e na cerâmica faz da arte de Palenque a mais refinada da América pré-colombiana.
O palácio de Palenque, construído sobre uma base piramidal, inclui três muros paralelos que formam dois corredores cobertos por falsas abóbadas (feitas com a escora de pedras enfileiradas). Sobressai, no conjunto, uma torre de vigia com vários pavimentos, de tipo incomum na arquitetura pré-colombiana. Nesse e em outros edifícios encontra-se grande quantidade de baixos-relevos em estuque (material à base de cal, areia, gesso e água), que retratam cenas mitológicas e contêm hieróglifos com datas e fatos históricos. Por sua extrema delicadeza, são considerados o ponto culminante da arte escultórica maia.
No templo das Inscrições há um grande painel hieroglífico datado do ano 692. Em seu interior foi descoberta em 1952 a cripta que serviu de tumba para um sacerdote do século VIII, cujo altar continha numerosos artefatos de jade. No templo da Cruz Folheada acha-se um baixo-relevo que mostra duas figuras diante de uma árvore em forma de cruz, pelo que alguns especialistas aventaram a possibilidade de evangelização dos povos maias nos primeiros tempos do cristianismo. O pequeno templo do Belo Relevo é conhecido por uma enorme laje com o fragmento de uma figura sentada num trono, de exímia modelagem.
Abandonada e oculta pela floresta durante séculos, Palenque foi descoberta em 1785. O rei Carlos III da Espanha promoveu a exploração arqueológica do sítio. Antonio del Río realizou os primeiros estudos sobre as ruínas e seus baixos-relevos, que despertaram crescente interesse ao longo do século XIX. A partir de 1940, o Instituto Nacional de Antropologia e História do México promoveu a restauração da antiga cidade e patrocinou novos estudos arqueológicos. Desde a década de 1960 o local tornou-se atração turística.





















